Segunda-feira, 12 de Março de 2012

Falta-me..

Quando é que sei? 
É uma inquietação querer o que não sei, ter visões de uma incerteza fosca, olhar para um infinito que parece que acaba e olhar para uma impossibilidade que é possível. É inquietante rever o meu passado e olhar para e agora e pensar que o que agora  acontece não vai ter relevância depois, não vai ser memorado  com tanta intensidade como o que sempre fiz antes.. Triste ironia da vida, mereço tanto este impasse, mereço completamente esta inutilidade de existência que me mergulha num oceano das minhas próprias lágrimas mas que não me afoga, mas aflige. 
Quantas coisas podia eu fazer, dizer, inventar, e agora nem sei o que é ser eu, se é que alguma vez fui.. Talvez seja eu agora e não era antes, e ao que parece era mais feliz sendo outra pessoa que sendo eu mesma... Não, É impossivel isso. Tou enterrada mas sei quem sou. Agora  estou por metade, já não é mau, já é um bom começo para ir voltando a mim. 
Vida, que me guardas-te tu? Não me tires mais nem me faças afastar mais ninguem. Ja sinto a falta o suficiente..Quando é que sei?

Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012

Ponto e virgula

A quanto me obrigas... 
És uma luta constante, incessante. Tanto me mandas abaixo como me fazes sentir realmente poderosa e nada me pode deter! Obrigas-me a sentir, obrigas-me a pensar, a reviver... A ter saudade, a planear o futuro, a chorar e a sorrir com tantas coisas que me fazes observar. O que me faz lembrar a chuva... Chuva foi o ultimo dia, chuva foi inesquecível e imperdoável, chuva... O sol? O sol é alegria, é correr e ouvir musica, é nostalgia. Trovoada é dor, é sufoco de dias e dias passados. Nevoeiro é preguiça mas alegre, é cantar a andar a pé pela mesma estrada todas as manhãs, sorrindo. Comboios são um olá e um adeus, é alegria e tristeza, é expectativa e desilusão. A noite é álcool e dor de pernas, é inconsciência e sorte.
É engraçado o que uma pequena palavra pode descrever dentro de mim. Cabelos é a tua cor e o teu cheiro, mãos é a tua textura, e o rio? Rio é uma despedida mal feita, uma despedida com esperança de não ser. Jardim é um fantasma que vagueia, ponte é um grupinho com a bebedeira, por do sol é uma fotografia, e azul? Isso já nem digo. 
Incompleta.
Vida, a quanto me obrigas...

Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012

Buscas intrinsecas

Quantas vidas é que estou a viver agora? Será tudo isto apenas uma piada? Será  um truque qualquer? 
Cada dia pareço estar numa diferente pessoa, numa diferente realidade mas com a mesma rotina, mesma família, tudo! Sou eu mas não sou... O que é feito de mim que outrora  esbanjava alegria, que sabia falar e espalhava sorrisos, que era dona do mundo sem obter  nada? Que é  feito dessa pessoa? Tantas mascaras criei que elas ganharam vida, ganharam forma, e  agora, consistentes, tomam conta  do que restou do meu eu. Isto é mesmo uma piada, confesso! Domada pela minha própria  criação, ou será que foi tudo um falhanço e me sinto nua e desprotegida? Parece que não me conheço assim tão bem para  não saber a origem de mim. No pouco que acredito, onde deposito tudo o que tenho vai-se evaporando com o tempo, envelhecendo, esquecendo-se, apodrecendo ou por vezes sendo destruído... A vida é feita de perdas, estou ciente, mas há perdas desnecessárias, perdas absurdas, dolorosas e cruéis que provêem da maldade do ser humano! Todos os dias são um teste, todas as pessoas querem algo e sugam tudo o que podem para conseguir o que querem. Pessoas... Nunca vi nada tão vil, tão decadente mas ao mesmo tempo tão dócil  e tão divino.
Minhas vidas, vivo com ardor, com distracção, com inconsciência.. Qualquer dia deixo-me levar apenas por  não querer mais.

Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012

Ontem, hoje, sempre

Lembro-me de quem fui, de quem costumava ser, das experiencias, das pessoas, lembro-me de quem eu era, apesar de ser muitas pessoas. Hoje sou apenas memorias.
Hoje ando perdida, verdadeiramente perdida. Se antes vagueava a procura de um rumo, agora nem isso faço. Estou quieta aguardando algo que me caia do ceu para me ajudar, uma especie de milagre que me tire do sitio onde me enfiei e onde me aprisionaram depois de entrar. Sim, a culpa foi minha, mas tambem tive ajuda. 
Mudança, aquilo que tanto temo e aquilo que mais acontece comigo.. Desde um determinado momento até agora a mudança tem vindo a ser para pior, e eu vejo ao longe o que acontece comigo e deixo-me estar quieta vendo-me deteriorar. Oh sim, é doentio e comodista, mas sou eu assim agora. Se vou mudar? Pois está claro que sim, mesmo que eu não queira, mesmo que não me aperceba isto muda, e para pior não vai ser. Trata-se tudo de estabelecer limites, de impor o que eu acho que está correcto, de lutar e proteger quem eu sou! E quem sou eu? Eu sou memórias que quero recuperar, eu sou tanta coisa... Desejos, saudade, sou pessoas e momentos, sou alegrias! Tristezas não vale a pena falar, mas quero mais as alegrias agora que o que reina é a rotina e monotonia, é o estar parada e sozinha que me governa. Não, isto já não chega para mim, como nunca chegou mas tentei que chegasse.
Hoje sinto algo diferente que não quero que seja novamente reprimido, hoje senti uma ponta de... Esperança talvez, ou de ajuda, ou mesmo de força e auto-confiança. Sim! Qualquer coisa foi. Hoje eu quero. Hoje eu vou.